quarta-feira, 18 de julho de 2018


Esboço com guache e água 

"As asas do inconsciente"

Olho para dentro de mim!
Já cansei de olhar para frente 
E para todos os lados 
Desse mundo camuflado 
Em disfarces de ironia!
Olho para dentro de mim
Pois sei que meu inconsciente 
Não mente ,apenas sente
Aquilo que só a mim pertence
Entre as minhas fantasias.
Olho dentro de mim
Pois aqui os pensamentos voam
E às vezes até ousam sair 
Do meu crânio engaiolado 
Para ganharem formas entre as tintas 
Que para mim dispensam máscaras!
Olho sempre dentro de mim
Quando quero ver quem sou
E quem eu amo!
A Arte ganha asas e voa...
Ela gera aquilo que sente
No presente interior de cada gente
De sorriso inocente
Para os riscos e rabiscos do futuro
Escuro e sem endereço.
Olho somente dentro de mim
Pois aqui eu sei que habita a verdade
Que distrincho com os dentes
Da minha alma lavada
Entre a cara descarada do tempo.
E assim ela sustenta minha mente andarilha
A perambular nas esquinas
Povoadas de devaneios ciganos
Das profundezas da minha intuição.
Nada das ilusões da terra
Cobertas de dores e guerra...
Quero somente as asas do meu inconsciente 
Rumo ao céu!

Alcinéia Marcucci

domingo, 15 de julho de 2018


Esboço com guache e lápis "Campo de Rosas entre um girassol "

Não me venha com rosas
Quando minhas pernas estiverem ocas
E meu rosto cansado para sentir o seu perfume.
Não me venha com rosas
Quando meu corpo estiver frio
E minhas mãos geladas demais
Para domar minhas invertudes.
Nessa manhã de sol,
Quero somente aquilo que me aqueça!
Que meu pensamento nunca se aborreça,
Seja ele sempre um girassol
Predestinado a seguir a direção da luz!
Quero rosas como peixes
Desovando meu ventre num grande cardume!
Quero rosas somente agora,
Pois o futuro me apavora,
Ele é ausente de vida,cheiros,amor e ciúmes.
Se dentre um esteio de espinhos nasce uma flor,
De tanto sofrimento desaborta um amor
Incolor,multiflor na multidão sem perdão
Como rosas de nascimento dolorido
Saindo do botão!
De repente são puxadas por alguma mão
Mudando seu destino e direção.
Predestinadas à algum passatempo
Alegria ou sofrimento de momentos em vão.
Durante a noite no relento
Quero rosas por um momento em meu pensamento
Enfeitando meus cabelos ao vento.
Rosas não são para a dor!
Rosas são para o amor!
Por isso não me venha com rosas
Quando meu corpo murchar,
Quando minha alma partir
E meu coração não estiver pulsando
Nem ao menos por ti!
Venha minha alma despir
Num campo de rosas
Onde os espinhos já não ferem mais
Minha carne anestesiada.
As ilusões do meu corpo não possuem fome
Já a força da minha alma só sente o nome
Daquilo que não se come
Não se veste,não se compra
E dispensa sobrenome.
Talvez apenas uma rosa para brindar o amor!
Talvez apenas uma rosa na noite de Natal!
Talvez apenas uma rosa numa data especial!
Afinal,qual é o mal de simbolizar o bem com aquilo que não é eterno ...
Mas pode durar a eternidade de uma vida?

Alcinéia Marcucci

Esboço "A Vida entre espelhos e flechas"

Sinto um peso entre duas medidas
Apertando minhas tripas
Rompendo as divisas
Da banalidade
Da normalidade
Que o mundo assanha.
Quero o indivisível
Quero a mutação do instante
Disfarçado de elefante
Nas esferas do meu inconsciente.
Não quero presentes
Nem luxos e etiquetas.
Quero minha ânsia fora da gaveta
Me ver apenas dentro dos olhos
De quem eu amo!
Dispenso a normalidade
Com suas pedras,flechas e opiniões.
Quero apenas a arte que me parte
Entre alguns corações
Quero o néctar das minhas entranhas
De uma força tamanha
Que preserva minha alma viva
Entre a fúria dos meros mortais canibais
Que jamais alcançarão
A intensidade da fé que se esconde
Nas entrelinhas do meu nome
Codinome espelhado: Romã...ãmoR.
Alcinéia Marcucci

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Tenho olhos que devoram
A brisa que queima
O brilho dos meus poros.
Às vezes me apavoro
Às vezes choro
Por não poder me conter!
Sinto que vou derreter!
Sinto que nada posso ter!
Apenas ser...então que seja...
Seja feita a vontade divina
A vontade dividida
Que parte meu coração nesse instante.
Minha consciência de elefante
Caminha lenta como as tartarugas
Numa fuga dentro de mim
E simplesmente assim...
Contenho os meus monstros
Neste meu calabouço
De carnes e ossos.
Às vezes penso em soltar as feras...
Às vezes quem me dera
Abrir as asas e voar
Para algum lugar
Onde os loucos podem ser livres
Sem classes,religião e times.
Onde os loucos possam viver
Sem se preocupar com os lados
Sem serem atropelados
Pela exacerbação.
Mergulhar na alucinação seria um devaneio?
Algo que me parte ao meio?
Ou apenas um passeio...
Sem receio da minha mente desvairada!
É tudo ou nada!
E pelas estradas vazias
Sem cores e poesia
Só me resta
A maresia
Nua e fria
Dos meus olhos.

Alcinéia Marcucci

quinta-feira, 28 de setembro de 2017


A Dita

(Conversa entre uma Senhora e uma Menina.)

S- Cuidado! Às vezes ainda escuto a voz da Dita
A dita cuja...A ditadura
Dura como pedra vindo com tudo em direção da gente!
Fale baixo!Abaixe!Se esconda!
Esconda seus segredos, cubra o pensamento!
A Dita está chegando, cada vez mais dura,  triturando o som do vento!

M- Que Dita!Quem foi a dita cuja da Dita?
Nasci livre como um pássaro
Saí do ventre quente de minha mãe
E abri os meus braços
Num grito de liberdade
De quem nasce para na vida renascer
Transformando o próprio destino
Ainda menino num velho  sábio
Coberto de ideias!

S-Transformando o próprio destino
Em nascer, crescer,trabalhar, comer, dormir,
Ou dormir, comer, trabalhar,crescer ,nascer?
De que importa o início se já sabemos o final?
Ironicamente o fim é fato imutável!
Os filhos da Dita viviam com anseios e sonhos enclausurados, presos
Dentro das gaiolas de carne e ossos!
Já os filhos da Democracia!
Tem toda a liberdade para fazerem os pássaros voarem
Mas  são raros os que voam
Por que falta força, coragem para seguir em frente
Ser diferente em meio a alienação
Ter consciência que há tudo por descobrir!
Ter consciência de que não se sabe coisa nenhuma!

M-Será que a idade vai levar os meus sonhos?
Será que a necessidade de sobreviver
Vai engolir meu desejo de viver?
Será que tudo que faço
Um dia me dirá que não fiz coisa alguma!
De que vale a vida
Se tudo descobrimos mas não descobrimos nós mesmos?

S-O silêncio é macio, o remediar o passado é cômodo demais
Para desvendar o futuro e seguir novos caminhos!
Um dia profetizou Belchior  a canção dos pássaros
Que ainda há de saírem dos ninhos!
Eles voarão até cansarem  as asas
Entoando em coro a velha canção
Que a sua geração já conhece bem!

M-Ainda somos os mesmos e vivemos!
Como os nossos pais?
Por que o que  parou no lugar não sai,
E o que se movimento ainda olha para trás
Procurando alguma  direção para seguir em frente!

Cuidado!!!

Alcinéia Marcucci

segunda-feira, 17 de julho de 2017

De encontro com tudo que de mim não sai...

Vai! Vai de encontro com o seu pai
Antes que o adeus seje tarde demais
Antes que a lua desapareça
E o sol enlouqueça
Vire a cabeça sem as noites de luar!
Vá!Esqueça tudo que se vai
Sinta aquilo que não sai
Do seu peito sem endereço.
Vá! Vai antes que tudo se vá
Vá pra algum lugar
Sem enfeites e adereços.
Vá! Pois o tempo não perdoa!
Ri e de nós caçoa...
Achamos que tudo podemos segurar!
Quando o vento... escapa pelos dedos
Debochando dos nossos segredos
Desmanchando nossos corpos
A cada respirar.
Vá! Mergulhe dentro de ti
Sem pressa de regressar
E se amor de fato existir ali
Vale a pena  pra vida voltar
E se voltar talvez eu te dê um laço
Em forma de abraço
Já que não sei o quê com o futuro faço
Nem mesmo os meus passos
Posso agora controlar.

Desejo somente um sopro de vida
Pra curar as minhas feridas.
E na falta de saída
Na carência de alguma bebida
Pra afogar a minha voz sentida
Restam  a calmaria da mãe querida
E o olhar firme do meu pai.
Vai...vai para dentro de mim
Como água cristalina
Tudo aquilo que de mim não sai!
Vai!

Alcinéia Marcucci






domingo, 25 de dezembro de 2016



Sentir o corpo e alma
Leves no mesmo lugar.
Até quando vou suspirar?
Até quando vou aguentar?
Meu corpo está aqui!
Mas minha alma  eloquente
Quer sair pra qualquer lugar.

Os ossos tortos são pouco
Os dedos inquietos são loucos
Para traçar linhas na  inquietude
Das nuvens camufladas
Pelo tempo
Mutável como o vento
Que sopra vida
Para minhas mãos.

Às vezes ousa fazer uma canção
Me pedindo perdão
Por fazer do meu corpo
Algo tão inválido
Tão morno
Tão pouco
Para minha alma transpirando em brasa
Dentro da minha gaiola de ossos ocos.
Talvez eu seja assim,
Só alma num corpo que cuida de mim,
Um sonho ausente no presente
Areia na ampulheta,
Casca na gaveta
Serei pó
Sem dó
Sereia sem a
Serei
Sem nada
e
nada
mais.


Alcinéia Marcucci