domingo, 25 de dezembro de 2016



Sentir o corpo e alma
Leves no mesmo lugar.
Até quando vou suspirar?
Até quando vou aguentar?
Meu corpo está aqui!
Mas minha alma  eloquente
Quer sair pra qualquer lugar.

Os ossos tortos são pouco
Os dedos inquietos são loucos
Para traçar linhas na  inquietude
Das nuvens camufladas
Pelo tempo
Mutável como o vento
Que sopra vida
Para minhas mãos.

Às vezes ousa fazer uma canção
Me pedindo perdão
Por fazer do meu corpo
Algo tão inválido
Tão morno
Tão pouco
Para minha alma transpirando em brasa
Dentro da minha gaiola de ossos ocos.
Talvez eu seja assim,
Só alma num corpo que cuida de mim,
Um sonho ausente no presente
Areia na ampulheta,
Casca na gaveta
Serei pó
Sem dó
Sereia sem a
Serei
Sem nada
e
nada
mais.


Alcinéia Marcucci

Tirei os dedos da lida...e fiz uma pintura para Frida.

Entre as lágrimas que escorrem
Na minha face já sentida
E o coração que pulsa o sangue
Nas minhas veias já partidas
Fico às vezes a pensar
Se não somos um pouco Frida.
Frida!
Entre goles de mentiras
Quantas vidas já sofridas?
Um único sonho que resta
Dentre a tirania que não presta
Dilacera tantas frestas
Ferindo tantas vidas!
Frida
Sei que a vida não é doce
E só amarga fosse?
Mesmo assim... ainda vale ser bebida
Mesmo que num gole só
Já que tudo vira pó... A noite, as flores, os amores...
Essa arte que nos parte
Como vale ser sentida! Ser...
Ser sem poder ter
Por que ter é a ruína!
Quero a vida nua e crua
Queimando nas minhas entranhas
Tão estranhas, tão inquietas para o dissabor.
Da dor também nasce flor/ Uma flor como nome Frida!
Alcineia Marcucci

quinta-feira, 21 de março de 2013



Filho,
Devagarinho entrou no meu ventre
Foi crescendo tão de repente
Criando um laço inalcançado  pelas mãos
Tão apertado aqui dentro do coração
Que eu sou você e você é eu.
Você é minha respiração
As cores com que nunca pintei
As formas com que nunca antes sonhei
Mas hoje se movem dentro de mim
Como que querendo dizer: "Estou aqui, dentro de ti
E mesmo do seu lado, no seu peito permanecerei."
Filho,
Meus sentimentos crescem contigo
Criam raízes nas minhas veias
Expandem meu espaço interior
Pois o meu coração de mãe aumentou
Para o  brilho dos seus olhos
Para o  calor do teu corpo
Que já pertencem a minha vida
E aquecem os meus dias
Para a cada amanhecer
Eu renascer mais forte
Para o amor superior
Mágico e intraduzível
De mãe e filho.

A primeira troca de olhares 
Não têm preço
Ouvir seu choro
Sentir seu cheiro
Ter-te em mãos
É uma união com Deus
Um momento único
Entre o sonho e a realidade
Surgiu a razão do meu viver
Surgiu você!

Alcinéia Marcucci







domingo, 1 de julho de 2012




Tempo!
Veneno lento que transporta 
Toda massa à pó.
Tempo!
Chuva de vento  que transborda 
Na beira dos olhos 
Uma saudade sem dó.
Tempo amargo e sedento!
Congela um momento
Algum acalento
Nos meus dias derretidos
Na tua saliva que lambe minha face!
Congela alguma verdade
Um beijo sincero
Nestes meus dias fingidos
Sem beijos e disfarces!
Tempo!
Veneno lento
Que distancia  meus dedos,
Vai cortando meus anos
E aumentando meus segredos.
Tempo que levou os meus brinquedos!
Leve meu corpo fresco.
Beba-o como um refresco,
Mas não devore  a fantasia 
Da maresia dos meus olhos.
Tempo!
No meu rosto tenho suas linhas
Me fazendo companhia
Costurando-me contra a parede,
Me deixando com sede
Das tantas polpas da vida já provadas.
Tempo!
Se eu pudesse te enganaria!
E com as linhas do meu rosto
Bordaria os bons ventos
Que escaparam dos meus dedos
Numa colcha de todas as cores
Para aquecer meu lado criança
Nas noites frias do inverno.
Tempo!
Que desmancha os castelos
Bate como um martelo
Bem no centro do meu peito
Brincando com minhas veias
Igual a  um gato ligeiro
Com o meu novelo de linha
Arraigado nas unhas
Cutucando a ferida
Da saudade doída da minha alma partida
Perdida sem compasso no seu passo
Extremamente veloz 
Evaporando os momentos
De todos nós.
Tempo!
Veneno lento,
Cruel e  mentiroso,
Chuva de vento que transborda
Na beira dos olhos 
Uma saudade tão só.
E na negra solidão,
Entre a triste brancura dos lençóis
Me aqueço nos seus nós
Apertando as  lembranças
Que crescem  no âmago sem dó.
Sem dó!



Alcinéia Marcucci



quarta-feira, 20 de junho de 2012



Mãe Terra (0,80 X 1,00 m)

Poesia do poeta  gaúcho Luiz Sérgio Quintian Costa

Sou do bem! Só o nosso amor incondicional unificado salvará
a alma de todos os seres vivos e a grande alma Terra da qual fazemos parte. - Quintian



DEUS É MULHER

(quintian)

Mulher! Sedução é o teu nome,
para te adorar me fiz homem.
Não parei de aprender
um minuto sequer,
esta ciência, esta arte,
a alquimia de amar.
É na combinação de energias,
desta química sem par,
que eu me fundo, me confundo,
que eu vou até o fundo,
só para encontrar
a tua prenda de ternuras.
A generosidade é tanta,
Que me comovo, é santa!
e de demo à musa, um passo,
de amiga à dançarina, o abraço.
Vais permitindo todos os meus vôos,
vou tentando todos os meus cantos,
e consagra-se a paixão, encantos,
fusão de cérebro e coração,
deliciosa confusão de liberdade e instinto.
Sou quase uma sombra que brilha,
Nada é impossível, tudo é provável,
A vida é um gosto, é ávida de prazeres.
O segredo revela-se, é único, é raro,
ela pode, ela busca, ela quer,
ela faz mais e melhor,
porque Deus é Mulher!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Na viagem ao desconhecido mergulhei dentro de mim e penetrando na escuridão de minhas entranhas senti a Arte numa luz de queimar os olhos e chocar as  minhas "crias" alimentando-as  para que possam quebrar  os ovos retraídos por este  sossego ou espremidos  pela  velocidade do metrô. 





Olhos na Solidão ( 0,70 X 1,00 m)





Anestesiada!


Com as costas viradas para o mundo fugaz.


Anestesiada! Sem sentir o chão e seus prazeres carnais.


Anestesiada com um dragão rompendo-me num apetite voraz


Garras afiadas picotando meu corpo rápido demais.


Corpo rasgado no chão com a mala na mão.


Pra que lado será que eu vou? Perguntei aos meus disfarces.


Em minha gaiola de carne e ossos mastiguei pedaços de interrogações


Já minha alma brejeira? Nossa! Como deslanchou sem medo nos quadros, lambendo as tintas


Lavando meus olhos, extasiando meus pelos e regando minhas pintas.


Os violinos tocavam minhas notas decompostas " Ao Som dos Devaneios"


Senti ali uma alma sem rodeios desgarrar-se do corpo do pianista. Que alívio! Não estou só!


Há outros corpos flagelados por almas inquietantes! Vi a sua alma levitar por alguns instantes!


Perdida no meu mundo, com os olhos fundos na medula dos mistérios.


Embaralhada nos contrastes descobertos e incertos na avenida sonâmbula de São Paulo


Ouvi o canto da minha tribo batucando com os meus ossos e fazendo cócegas nas minhas vísceras.


Não dormi. Chorei e ri rasgando a madrugada com " As mulheres que correm com os lobos"


Entre ruídos sorrateiros externos e uivados ferozes internos a noite saltou fundo no amanhecer.


Senti o cheiro das palavras e quis entrar em alguns quadros.


Vi olhos me chamando para contar os seus segredos.


Maldito artista que parte no infinito rejuvenescendo incógnitas!


Senti nas pinturas o calor dos dedos na coloração avermelhada


A luz do sol capturada no instante e ali eu quis me aquecer.


Senti as lágrimas da obra" Saudade" bem dentro dos meus olhos


E o movimento das pessoas nas telas paralisadas.


Lá fora leito de algodão nas ruas e calçadas.


Vi árvores com as mãos arraigadas no colo da terra


Enquanto outros com as mãos nem fazem amor, apenas guerra.


Ouvi almas me chamando para fora de minha sela.


Uma mescla de gente ascendendo minhas velas.


Texturas agridoces dissolvidas nas retinas


Pimenta queimando a ponta de minha língua


Derretendo na saliva as cores da emoção: " Fascinação"


Foi espanto dos meus olhos ou dos olhos da lua que prateava a avenida luminosa na contra- mão???


Perdida me reencontrei certos momentos no deserto da multidão


Com meu olhar ladrão inocente querendo apenas capturas instantes


E sensações sem nome, daquelas que correm além dos lobos


Algo que sei que deve estar muito além dos limites desta vida...




Alcinéia Marcucci





domingo, 1 de abril de 2012




O Toque na Dor (0,30 x0,30 cm )




Ah! Como eu amo o anormal!
Eu amo o feio, o olhar esquisito!
Aquele ser que ninguém vê.
Amo a simplicidade.
A terra vermelha colorindo a brancura dos més pés
E perfumando minhas frescuras!
Amo os detalhes
Escondidos nuns gestos
Secretos e discretos
Isentos da pretensão do mundo
E dos sorrisos falsos e vagabundos
Espalhados por aí.
Amo o olho no olho
Toque somente pelo toque
Beijo somente pelo beijo
Da língua que se movimenta no céu oposto
Da boca liberta de mentiras.
A verdade está no silêncio.
Na palavra não pronunciada
Naquela que foi guardada
Pois de tão verdadeira
Poderia, se lançada, virar o mundo pelo avesso.
Ah! Como eu amo o olhar e o silêncio!
Com eles não existe razão
Apenas apreciação
Da beleza secreta do amor.
Sim, eu sei que com ele um pouco de dor
Mas é uma dor diferente
É uma dor que cura
A doce criatura que assola o peito
Dos corpos imperfeitos.
Amo a ousadia! Talvez por isto a arte seja minha única religião.
Amo o sentimento como um todo! A expressão dos excluídos
Que trocam o pão pelo pão
Do trigo balançando nas mãos
Germinando uma sensação 
Maior que a liberdade
Nunca antes pronunciada
Pela língua dos homens.
Os mistérios me atraem,
As palavras que não estão nos dicionários
Nem no vocabulário das línguas nobres.
Amo e sou como os pobres
De alma cigana
Orvalho misturado com suor
Lágrima mistura com saliva
Desta terra lambida.
Sou uma gota no mundo
Que precisa de água pura da fonte
Sentidos e sensações que me  revistam de vida
E nada mais....


Alcinéia Marcucci



                                Toque pelo Toque (0,30 x0,30 cm)                                        

O Silêncio das Tintas