sexta-feira, 24 de dezembro de 2010


Devaneios
(1,20 x 1,70m)

Façam um brinde?

A alegria e a desgraça
Dedicada a figura da mulher?
Mulher ás vezes amada, cantada, xingada,
Devorada, lambida,lembrada...
Entre um copo qualquer.
Copo dos mergulhos a nado,
Onde as mágoas se afogam e não morrem
E os desejos latentes sobrevivem
No drinque, na taça, na concha,
No útero, nas lágrimas, nos lábios
Entre doses de  injúrias  trincadas.
Toda mulher é uma incógnita,
Trilhar seus caminhos é um rumo sem volta
Um labirinto sem saída, onde o homem  na descida
Com sua cara lambida, tropeça na própria embriaguez.
Embriaguez entre a cara e a coroa
Da mulher cama leoa, besta de mil faces,
Abestalhada de mil  watts
Embebida  no oito ou oitenta
Que constrói, alimenta,arrebenta,
Caras de tacho, ferro ou cristal
Num prato de lua cheia entre cabelos de sereia
Rasgando a ampulheta do tempo,
Com seu corpo  areia movediça
Move-se  por entre os  poros,

Molhando  de anseios os lençóis,
Orvalhados da  sua  pele  uva doce
Apertada, esmagada, transformada
Em vinho tinto  entre os dedos
Uma cascata à flor da pele,
Despetalando-se por entre as estações
Sugada pelos Beija- Flores
Degustadores de cores e amores
Que vazam por entre os dentes...
                                      Alcinéia Marcucci 


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