sexta-feira, 24 de dezembro de 2010



À Flor da Pele



A Flor da Pele me deflora,
Me inflama, me espinha,
Me toma, come e engole
Todos os meus medos, meses, anos,
Minha vida doce mergulhada na salmoura.
A Flor da Pele me cobre
Com seu perfume macio
Esquentando meu corpo
Para eu vingar o empate,
Brotar, nascer, chocalhar,
Quebrar as cascas do ovo
Numa overdose clara
De gemidos da gema
Amarela nascente que rega meus pés.
A flor da Pele percorre
Minhas ramificações vermelhas
Perfura meu silêncio
Me entrega de bandeja
Despetalada a confessar
Que vivo à Flor da Pele
De pelica que penica
Minha fina película
Que arrepia todos meus pêlos
Acarinha meus cabelos
Desabotoando  minha pele
Num desabrochar  abusado
De feitiços e sensações
Destiladas entre espinhos
Com o  perfume faminto
Do poder do infinito.
                    Alcinéia Marcucci

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