quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


O Dedo Indicador

Beijo Chéri

O céu  cobria-se de panos quentes
Que se locomoviam na minha boca
Intocável, desprovida e louca
Toda despida na noite noviça
Sem pílulas para matar o vício
Sem anestesias para tirar o gosto
Da bala de pimenta que desmanchou-se
Como um tiro manchando minha pele
Do bendito sabor do Beijo Chéri.

O céu da boca era tão fundo
Ao som de sua saliva grudava-se
Uns genes trocados, colados
Matando não sei que fome
Desvirginando sensações inversas
Na boca perversa da noite
Entre as armadilhas dos braços
Que jogavam sem dó o laço
Da maldita saliva do Beijo Chéri.

Beijo este que amortecia a pele
Bebia a última gota da fonte
Pousava como uma praga
Platônica e rastejante 
Tomando a seiva do útero 
Na deslizante taça de cristal
Que carregava nos lábios finos
Assombrações do Beijo Chéri.

Os sustos guardo nos apuros
Bem escondidos  entre os seios
Sem abrir o bico para o grito
Dos gemidos que espremo
Nas coxas roliças dos meus dias
Cobrando rezas e pecados
Na dor do ferro a brasa
Queimando  as lembranças
Marcadas  nos lábios
Do gosto esquisito do Beijo Chéri.

          Alcinéia Marcucci 




2 comentários:

  1. Nossa, que lindo!!!!!!!!!!!!!!!! Que poema repleto de texturas e paladares! Amei.

    PARABÉNS PELO LINDO POEMA!
    LARA

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  2. Obrigada Lara! É recompensador saber que sente o toque d'arte que habita minhas loucuras!

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