sexta-feira, 14 de janeiro de 2011


Ao Som dos Devaneios (0,80 X 1,00 m)



Cambaleando


 Quem eu sou  depende da medida que os dias emprestam.
Caminho  na espada de ter dois pesos nas costas
Duas medidas  cantantes na melodia dos  meus braços
Que sopram  cânticos sedutores para minhas adivinhas.
Às vezes tenho a impressão  de caçar  a poesia!
Com  minhas artérias sugar a sua seiva
Nos caracóis  vermelhos do meu corpo
Engolidores das cápsulas  aveludadas do vento
Num trem à vapor  disparado de  palavras
Entre as linhas desenfreadas dos meus dedos.
Outras  vezes cavo um buraco para fugir da poesia!
Das suas correntes sonoras que perturbam meu cochilo,
Dos xavecos de suas chaves que querem abrir o meu cofre
Das lentes de seus olhos que querem despir os meus códigos
Fujo  reto para ela  não corroer os meus disfarces circulares
Que ainda me guiam no labirinto escuro que carrego nos olhos.
Porém às vezes, tenho a impressão de bailar com a poesia!
Deflorar a flor da pele que lhe veste,
Tocar sua língua, beijar seu céu
Saborear suas linguagens subversivas,
Sentir na saliva as suas palavras lambidas
Cutucando meus lábios num orgasmo consistente
Na decolagem de um  trem  tocando o útero das nuvens.
Por outras vezes tenho a impressão de renegar a poesia!
Deixá-la  escondida nas paredes que me olham aborrecidas
Numa sede de se moverem além das certezas do concreto
Fugir da proteção do teto que pesa sobre suas cabeças
Que almejam a liquidez de seu corpos sólidos,
Enquanto eu congelo meus pensamentos nas suas gavetas,
Coloco uma pedra nas palavras descoladas
Das lavas subterrâneas  do meu íntimo aborrecido.
Mas , às vezes, quando penso que tudo está sólido,
E que as pedras não têm pernas para caminhar
Na direção dos meus pensamentos ciganos
A poesia me tapeia, carrega as pedras nas costas
Cambaleando cai  sem palavras nos meus braços
Se encaixa nas falhas do meu corpo
Mostrando para o cemitério dos meus olhos
Que as almas voam e as pedras amam
O toque modelador das águas sobre elas.
                                                Alcinéia Marcucci

6 comentários:

  1. LINDO POEMA...... PARABENS QUERIDA.... UM SUPER BEIJO

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  2. Obrigada por tê-lo curtido SÍlvio!!!
    Abraço

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  3. alcinéia
    vim conhecer o teu blog e gostei de tudo que vi
    voltarei sempre
    abraços

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  4. Que legal Ademir! Fico muito feliz de ter sua visita por aqui!
    Obrigada

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  5. Ai, que lindo Alcinéia!!!!
    Lendo seu texto, vi-me entre os farelos de flores, que os ventos carregam, sem rumo, só pelo sabor de ir.

    Beijão!

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  6. Nossa Lara! Fico feliz em saber disto!
    A minha impulsividade acaba me guiando a escrever realmente só por este prazer de ir!
    Grande abraço

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