quinta-feira, 6 de janeiro de 2011







Quero lavar a alma do pranto silencioso
Quero meter os braços no meu fundo abrasador
Abraçar todas as cartas que me comem por dentro
Abrir a cadabra que alfineta minha língua,
Envolver o abstrato  nesta pele pintada
Me virar do avesso  das pintas e sonhar.
Quero abandonar os confins do Judá
Aglutinados na minha gula por liberdade,
Encaixar  minha pele no bálsamo do consolo
Que perdoa minhas falhas adulteras
Desgrudando meus olhos da dilatação
Do derretimento  dos dias desiguais.
Quero rasgar os meus disfarces
Grávidos  de desinvestimentos
Me vestir da nudez desafortunada
Aquecer meu corpo do frio da desordem
Arrepiar meus pêlos do orgasmo corriqueiro
Que floresce no meu corpo  sem primavera.
Quero escavar os escombros da ruínas
Escorraçar os ratos  escondidos no porão
Fazer um arrastão no medo esposado
Metido a besta no meu quadril branco,
Vazar  por entre a estreiteza da minha intimidade
Invadir os ares largos numa fuga do imprestável
Que ousa ejacular entre minhas frestas.
                                  
                                                 Alcinéia Marcucci

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