quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Predestinado (0,80 X 1,00 m)

A pintura morde minha pele


Desamarra meus medos mórbidos


Acerta na mosca elétrica


Ligada na minha força


Jogando no bicho enjaulado


Dentro do meu chapéu.


Chapéu que o vento leva,


Da cabeça avoada


Do meu corpo de vento


Levantado pelo tempo


Balançando em seus braços


As cinzas dos meus poros


Para a borracha do oásis


Escondida na areia.


Meus dedos murmuram


Invadem as nádegas das telas


Devoram sua brancura


Mergulham nas tintas


Criam vidas sobre elas


Na ânsia da eternidade


Gerada pelo meu vão pagão.


Eu sou o nada mudo


De naufrágio cigano.


Mudo. Mudo meu grito


Mudo meus dedos


No deslizar de uma nova obra


De vida estéril sobre os riscos


Estáticos  entre o movimento


Dançado ao som dos ruídos do fim


Entre as carícias famintas


Acasaladas na mão do tempo


Que apertam o calor de minhas brasas


Esculpindo minhas cartas


Sem rótulo e destino


Em mel, pimenta e cinzas


Jantadas pelo mar.




Alcinéia Marcucci

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