sábado, 23 de abril de 2011


Olhos na Solidão ( 0,70 X 1,00 m)


Me misturo nos vultos
Que beijam minha face
Me quebro em partes
Para meus sonhos famintos
Mergulho no absinto
Me transformo em vinho tinto
Na língua das horas amargas.
Me embaralho nas cartas
Que conduzem meus dedos
A riscar as telas
A arriscar a vida
Entre riscos perdidos
Na andança dos meus sonhos
Sem âncora sobre as tintas.
Sou dama danada
Pela tinta lavada
Pela vida provada
Pela terra comida.
Sou alma atrevida
Pela  arte parida
Pela gente lambida
Pelo tempo engolida.
Sou bicho do mato
Grudado na jaula
De asas cortadas
Pelo meu território.
Sou flecha sem guia
Freio sem guarda
Sumindo de vista
 No túnel derretido
Das minhas digitais...


                                                                                                 Alcinéia Marcucci








Criar é simples, não dói e alivia a alma.
O mundo dos sonhos é informal e infinito.
Difícil é continuar a criar numa realidade que espreme
Entre dias estáticos e silenciosos em que vivo 
Que apenas oferecem miragens.
Pinto o céu mas não vôo
O caminho que não trilho
Tenho o grito na boca
E um cadeado entre os dentes.
Ser artista na liberdade é fácil.
Até quando suportarei ser artista na dor
Que vive tentando abortar meus sonhos?
Não vejo sinais e não ouço respostas.
Apenas há silêncio e mistérios.
A.M.




4 comentários:

  1. Nossa voce tem um quadroooo que parece com voceee!!!!voce fez sua imagem????

    ResponderExcluir
  2. Sim Douglas!Me reproduzi em um de meus devaneios!
    Abraço

    ResponderExcluir
  3. Sinto tanto o que pinta, sinto tanto o que escreve, que às vezes choro em frente à tela : desta e das minhas .
    Maria Angélica .

    ResponderExcluir
  4. Poxa!Saber disto me emociona!!! Afinal, sou pisciana e emotiva por natureza!
    Grande abraço

    ResponderExcluir