segunda-feira, 9 de maio de 2011





A Calada da Noite
( 0,20 X 0,30 cm - Látex sobre Canson)




Inconsciente 

O céu derrama lágrimas
Sobre o falatório dos grilos
As curvas exalam perigo
Sobre os corpos dos amantes
Ardendo as brasas do sol
Entre a luz da lua engomada
Nas gomas de São Jorge.
Há um leão gritando
No ouvido do falecido
Há um sonho desaparecido
Na cabeça encabulada
Com a língua hidratada
No colo da Vênus 
Dividida em partes
Entre os faróis 
Escondidos nos lençóis
Amadurecidos do vento
De flan de framboesa
Com gosto da incerteza
Entre a ânsia de ser mulher.
Mulher de mil fetas, faces, facetas
Marias e Tiêtas
Com peitos e tetas
Dentes de crocodilos
Soltando todos os  tiros
Da língua encharcada de mel
Esgrimas e pincel
Na ginga com os dados 
Jogados com os dedos
Molhados por morcegos
Carregados dentro da manga
Entre as cartas na tanga
Do seu ponto de fuga nômade
Perseguindo pelas vielas
O sabor do  informal.

Alcinéia Marcucci


Um comentário:

  1. A imagem coube perfeitamente ao poema . Não podia ser diferente !

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