terça-feira, 24 de maio de 2011


A fome  Cigana

Arte no prato  

Tenho fome!
Daquilo que não se come.
Tenho fome!
De um pouco de cor nos olhares daltônicos.
De uma chama de fogo nos corações de gelo.
De umas linhas curvas sobre as mentes retas.
Desnudando  as máscaras de ferro.
Tenho fome!
De devorar a fruta do meu desfrute.
De desgalhar-me num mar vermelho
De desovar minha sensibilidade
Desapertando minhas medidas ciganas.
Tenho fome!
De devorar tudo que me come.
De desmontar a ordem
Do castelo capitalista.
De despregar-me da vitrine
Dos olhares do $$$$$$$Real,00
De tirar minhas asas
Deste planeta canibal.
Tenho fome!
De provar as dores do parto
Desta terra já cansada.
De parir na esquina
As almas mal lavadas
Dentre encontros e desencontros
Desta terra descarada
Que mostra o inicio
Escondendo a chegada.
Tenho fome!
De um beijo salubre
Sobre a cara do tempo
Que corta de raspão
A saliência de minha réstias.
Tenho fome!
De um pouco de ardência
Sobre minha casca
Estéril demais  para este estopim
Do "ter ter ter"  nos confins
Do ânus  fluorescente  do Judas.
Tenho fome!
Que você se cale
E apenas sinta
Todo o me ser.
A dor do uivar dos lobos sem lua
Dormindo entre  meus pincéis.
Tenho fome!
Daquilo que não se come.
De um sentir desregulado
Entre um sol descarado
Queimando nos céus
As brasas da terra.


Alcinéia Marcucci




3 comentários:

  1. NOSSAAAAA.....ABSURDAMENTE LINDO !! PARABÉNS....voce é boa demais!!

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  2. Obrigada Cris! É recompensador saber que há pessoas que apreciam a arte e desabafos como este que nascem de dentro da alma sem regras e certezas! Fico muito feliz por ter curtido! Abraços

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