quarta-feira, 6 de julho de 2011



Apenas um Tango (1,30 X 1,70 m)

Meus dedos palpáveis não palpitam
Se recolhem na linguagem dos sinais
No vento disfarçado de pedestal
Que sustenta meus sonhos loucos.
Sonhos nômades e caboclos
Galopando à pelo, rabiscando a nado
O tremor de minha pele vazia
Estilhaçada pela pedraria
Despencanda  sobre meus olhos.
Mesmo trincados meus olhos vêem,
Mesmo feridos meus olhos pulsam,
Em vermelho sanguínea meus olhos pintam
A solidão que me balança inteira.
Meus olhos orvalham sobre a retina
Um pouco das cores desta arte Pirata
Soprando  coragem sobre minhas velas
Paridas na fúria do Mar Morto.
Meus olhos desenham sobre os lugares
Conversam com as tintas
E dançam com a ironia.
Meus olhos bailam com a fantasia
Para amortecer a dor das pedras
Preservando as meninas ingênuas
Que ainda riem dos fantasmas
Brincam com os pincéis
Dialogam com a imaginação
Bem no centro dos meus olhos.

Alcinéia Marcucci

5 comentários:

  1. Fico muito feliz que tenha gostado do meu desabafo impulsivo. Todo elogio vindo de você é uma grande honra!!!!
    Abraços

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  2. tanto talento....
    uma responsabilidade de estar na presença de todos, nos olhares de todos...ver uma beleza tanto pessoal como nos quadros...paraben alcineia.....

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  3. Obrigada Douglas!!!! Fico muito feliz por você visitar este blog!Grande abraço

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  4. "As meninas ingênuas que ainda riem dos fantasmas "... Putz, vc tirou isso de dentro da'alma ! Poesia ímpar !

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