sábado, 7 de janeiro de 2012

A Quebra
                                                                                               (1,00 X 1,30 m)
A banda pulsa na banda
Esquerda do meu peito
O vermelho dos meus olhos acena
Denunciando minhas infrações
Vivo num banco sem fundos
Barraco sem teto
Baralho sem cartas
Pra barrar  o meu azar.
Sou artista sem asas
Costurando as lágrimas
Deste oceano profundo
Dos meus olhos vagabundos
Com fome e com sede
De abestalhar a cólera
Que roça meus lábios
E meus canivetes caninos.
Desalinhavo meus grilos
Me atolo no desatino
Num assombro de menino
Quando descobre os mistérios 
Do colo da lua cheia
No útero da solidão.
Entre um uivado medonho
Nas amarras de concreto
Um cordão umbilical discreto
Laça todos os meus fetos
Na palma de minha mão,
Alguns vingam-se em formas
Outros desmancham-se em cores
Na mistura dos sabores
Entre a  realidade e a ilusão.


Alcinéia Marcucci




Ando distante...
me decompondo na distância
da realidade sobre meus pés.
Ando disforme, contorcida, retorcida
destacada das medidas
pregadas nas paredes fantasmas
que assombram minha distração.
Ando entreaberta
com fome, com sede,
água na boca
de morder os pretextos
mastigar os contextos
das minhas dobraduras
diversificadas.
Ando amolada
com a língua afiada
sobre minhas vontades.
Ando com onças,
me mordendo inteira
desfiam as estribeiras,
as tintas que me namoram
sobre o mel das pinceladas.
Ando coruja
um grão sobre a terra
um sopro, um beijo
e nada mais.
Ando pra frente,
de cara pra trás.
Meus olhos andam com fome,
de algo sem nome
num giro concreto
com cara de feto
subindo os degraus
derretidos do tempo
que engolem o andar
das borboletas curvas
das abelhas tortas
das caras mortas
entre algumas portas
encostadas nos mortais
perdidos no país do navegar...

Alcinéia Marcucci



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