domingo, 1 de abril de 2012




O Toque na Dor (0,30 x0,30 cm )




Ah! Como eu amo o anormal!
Eu amo o feio, o olhar esquisito!
Aquele ser que ninguém vê.
Amo a simplicidade.
A terra vermelha colorindo a brancura dos més pés
E perfumando minhas frescuras!
Amo os detalhes
Escondidos nuns gestos
Secretos e discretos
Isentos da pretensão do mundo
E dos sorrisos falsos e vagabundos
Espalhados por aí.
Amo o olho no olho
Toque somente pelo toque
Beijo somente pelo beijo
Da língua que se movimenta no céu oposto
Da boca liberta de mentiras.
A verdade está no silêncio.
Na palavra não pronunciada
Naquela que foi guardada
Pois de tão verdadeira
Poderia, se lançada, virar o mundo pelo avesso.
Ah! Como eu amo o olhar e o silêncio!
Com eles não existe razão
Apenas apreciação
Da beleza secreta do amor.
Sim, eu sei que com ele um pouco de dor
Mas é uma dor diferente
É uma dor que cura
A doce criatura que assola o peito
Dos corpos imperfeitos.
Amo a ousadia! Talvez por isto a arte seja minha única religião.
Amo o sentimento como um todo! A expressão dos excluídos
Que trocam o pão pelo pão
Do trigo balançando nas mãos
Germinando uma sensação 
Maior que a liberdade
Nunca antes pronunciada
Pela língua dos homens.
Os mistérios me atraem,
As palavras que não estão nos dicionários
Nem no vocabulário das línguas nobres.
Amo e sou como os pobres
De alma cigana
Orvalho misturado com suor
Lágrima mistura com saliva
Desta terra lambida.
Sou uma gota no mundo
Que precisa de água pura da fonte
Sentidos e sensações que me  revistam de vida
E nada mais....


Alcinéia Marcucci



                                Toque pelo Toque (0,30 x0,30 cm)                                        

O Silêncio das Tintas












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