sexta-feira, 4 de março de 2011









Disforme 


Perdi os meus modos
Rasguei os modismos
Quebrei a moldura 
Que molestava meu rosto.
Esfarelei as  moléculas
Me reverei em cubos
Cones, cilindros
Seios nos olhos
Olhos nas coxas
Boca no sexo
Céu na boca
Língua nos ares
Comendo as moscas,
Palavras na sopa
Da área do barulho.
As múmias se levantam
Das pinturas cubistas
Tropeçam nas formas
Com a cara no concreto,
Ossos por todos os lados
Almas a navegar no céu,
Batucada com ossos
Umbigada de vento
Beijo de sopro mordido
No perfume que veste
A caveira ambulante
A mulher de cubos
Encaixada nos fósforos
Que ascende a alma
Riscando a vida
Na chama que chama
A vida que ascende e apaga
Num sopro só.
Quero me virar em cubos
Tinta, fogo, chama
Na cama, no ventre
De frentre, pra trás.....
No cais do País do Navegar
Vejo o barco voando
No sopro do vento
Penetrando as nuvens
Despindo os mares
Na fúria das marés
Que batem nos meus pés....


Alcinéia marcucci