terça-feira, 18 de julho de 2017


Tenho olhos que devoram
A brisa que queima
O brilho dos meus poros.
Às vezes me apavoro
Às vezes choro
Por não poder me conter!
Sinto que vou derreter!
Sinto que nada posso ter!
Apenas ser...então que seja...
Seja feita a vontade divina
A vontade dividida
Que parte meu coração nesse instante.
Minha consciência de elefante
Caminha lenta como as tartarugas
Numa fuga dentro de mim
E simplesmente assim...
Contenho os meus monstros
Neste meu calabouço
De carnes e ossos.
Às vezes penso em soltar as feras...
Às vezes quem me dera
Abrir as asas e voar
Para algum lugar
Onde os loucos podem ser livres
Sem classes,religião e times.
Onde os loucos possam viver
Sem se preocupar com os lados
Sem serem atropelados
Pela exacerbação.
Mergulhar na alucinação seria um devaneio?
Algo que me parte ao meio?
Ou apenas um passeio...
Sem receio da minha mente desvairada!
É tudo ou nada!
E pelas estradas vazias
Sem cores e poesia
Só me resta
A maresia
Nua e fria
Dos meus olhos.

Alcinéia Marcucci

segunda-feira, 17 de julho de 2017

De encontro com tudo que de mim não sai...

Vai! Vai de encontro com o seu pai
Antes que o adeus seje tarde demais
Antes que a lua desapareça
E o sol enlouqueça
Vire a cabeça sem as noites de luar!
Vá!Esqueça tudo que se vai
Sinta aquilo que não sai
Do seu peito sem endereço.
Vá! Vai antes que tudo se vá
Vá pra algum lugar
Sem enfeites e adereços.
Vá! Pois o tempo não perdoa!
Ri e de nós caçoa...
Achamos que tudo podemos segurar!
Quando o vento... escapa pelos dedos
Debochando dos nossos segredos
Desmanchando nossos corpos
A cada respirar.
Vá! Mergulhe dentro de ti
Sem pressa de regressar
E se amor de fato existir ali
Vale a pena  pra vida voltar
E se voltar talvez eu te dê um laço
Em forma de abraço
Já que não sei o quê com o futuro faço
Nem mesmo os meus passos
Posso agora controlar.

Desejo somente um sopro de vida
Pra curar as minhas feridas.
E na falta de saída
Na carência de alguma bebida
Pra afogar a minha voz sentida
Restam  a calmaria da mãe querida
E o olhar firme do meu pai.
Vai...vai para dentro de mim
Como água cristalina
Tudo aquilo que de mim não sai!
Vai!

Alcinéia Marcucci