Apenas um Tango (1,30 X 1,70 m)
Meus dedos palpáveis não palpitam
Se recolhem na linguagem dos sinais
No vento disfarçado de pedestal
Que sustenta meus sonhos loucos.
Sonhos nômades e caboclos
Galopando à pelo, rabiscando a nado
O tremor de minha pele vazia
Estilhaçada pela pedraria
Despencanda sobre meus olhos.
Mesmo trincados meus olhos vêem,
Mesmo feridos meus olhos pulsam,
Em vermelho sanguínea meus olhos pintam
A solidão que me balança inteira.
Meus olhos orvalham sobre a retina
Um pouco das cores desta arte Pirata
Soprando coragem sobre minhas velas
Paridas na fúria do Mar Morto.
Meus olhos desenham sobre os lugares
Conversam com as tintas
E dançam com a ironia.
Meus olhos bailam com a fantasia
Para amortecer a dor das pedras
Preservando as meninas ingênuas
Que ainda riem dos fantasmas
Brincam com os pincéis
Dialogam com a imaginação
Bem no centro dos meus olhos.
Alcinéia Marcucci