segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Variações da Fome
( Látex sobre Canson- 20 X 30 cm)

ZONA ZERO

Na zona de Zé-Povinho
Há um Zunzum
Fazendo Zorra,
Não é mosca que pula
Nem cabra  que voa .
Na zona de Zé-Povinho
Há um zumbi a zurzir
Num ziguezaguear,
Não é o líder do quilombo
Nem fantasma a vagar.
É o zunzum da fome
Na zona zero à zombar.

Alcinéia Marcucci

domingo, 31 de julho de 2011





 "A cada ato impensado é  o planeta o primeiro que grita!"


















Autoria das fotos: Alcinéia Marcucci

sexta-feira, 29 de julho de 2011

                                                                        "Algum Colo"( 0,70 X 1,00m)




AS VEZES DAS VEZES


Minha mente andarilha
Vez ou outra pede colo
Na âncora de algum ângulo.
Vez ou outra pede voz
Aos seres andróginos.
Por  muitas vezes meu corpo
Quis desvendar os toques
Por outras desejou apenas 
O toque de alguém .
Me multipliquei por tantas vezes
Nas palavras descascadas
Já provei outras tantas
As histórias mal contadas.
Me contei fazendo planos
Entre páginas viradas
Me virei pra tantos sonhos
Perfumando minha estrada.
Já senti tanta sede
De olhos com pingos d'água
Já senti tanta fome
De devorar as palavras.
De sugar a poesia 
Das tardes mal cantadas.
Sinto o tempo me comendo
Me distanciando dos meus pés
Sinto asas me cortando
Em feto, menina, velha, Mulher.
Cruzo e descruzo meu eu na soma
De ângulos que vibram
No rumo do silêncio
No grito do pulsar 
Entre línguas presas
No verbo Amar
Com suas  incertezas
Desmanchando meus nós
Entre espinhos e lençóis
Das brasas de minhas veias.


Alcinéia Marcucci






Decomposição ( 1,00 X 0,70)


quarta-feira, 6 de julho de 2011



Apenas um Tango (1,30 X 1,70 m)

Meus dedos palpáveis não palpitam
Se recolhem na linguagem dos sinais
No vento disfarçado de pedestal
Que sustenta meus sonhos loucos.
Sonhos nômades e caboclos
Galopando à pelo, rabiscando a nado
O tremor de minha pele vazia
Estilhaçada pela pedraria
Despencanda  sobre meus olhos.
Mesmo trincados meus olhos vêem,
Mesmo feridos meus olhos pulsam,
Em vermelho sanguínea meus olhos pintam
A solidão que me balança inteira.
Meus olhos orvalham sobre a retina
Um pouco das cores desta arte Pirata
Soprando  coragem sobre minhas velas
Paridas na fúria do Mar Morto.
Meus olhos desenham sobre os lugares
Conversam com as tintas
E dançam com a ironia.
Meus olhos bailam com a fantasia
Para amortecer a dor das pedras
Preservando as meninas ingênuas
Que ainda riem dos fantasmas
Brincam com os pincéis
Dialogam com a imaginação
Bem no centro dos meus olhos.

Alcinéia Marcucci

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Renascimento (0,80 X 1,00 m)



  Vídeo  da Poesia Toma-te a Paz produzido por Sidney Zaratustra



                                             
 Toma-te a paz, 

Toma-te!

Toma-te o quê te toma.

Toma-te nos braços   

Toda Vermelhidão.
Toma-te as tomadas
Das veias ligadas
No seu coração.
Toma-te nos braços
O quê ninguém vê.

Toma-te as asas

Num copo azul,

Toma-te a vida

Toma-te as forças 


Tudo que é seu                                                                                                       

Toma-te rápido
Antes do Adeus!




A.M.


Fotos de autoria de Alcinéia Marcucci




sábado, 28 de maio de 2011


No Enterro


Nos cobrimos
Sem  nos descobrirmos.
                                             Encobertar a descoberta
                                             É a morte.


                                                                                     Morrer descobrindo-se
                                                                                     É a vida.


                                                                                    Pensamento coberto
                                                                                    É no túmulo.
                              
                                           A vida coberta  
                                           É o cúmulo.


? até no caixão
Eis a questão.
Eis a vida.


Alcinéia Marcucci

Fonte da imagem:Cemitério de Père-Lachaise    http://www.trivago.com.br/

terça-feira, 24 de maio de 2011


A fome  Cigana

Arte no prato  

Tenho fome!
Daquilo que não se come.
Tenho fome!
De um pouco de cor nos olhares daltônicos.
De uma chama de fogo nos corações de gelo.
De umas linhas curvas sobre as mentes retas.
Desnudando  as máscaras de ferro.
Tenho fome!
De devorar a fruta do meu desfrute.
De desgalhar-me num mar vermelho
De desovar minha sensibilidade
Desapertando minhas medidas ciganas.
Tenho fome!
De devorar tudo que me come.
De desmontar a ordem
Do castelo capitalista.
De despregar-me da vitrine
Dos olhares do $$$$$$$Real,00
De tirar minhas asas
Deste planeta canibal.
Tenho fome!
De provar as dores do parto
Desta terra já cansada.
De parir na esquina
As almas mal lavadas
Dentre encontros e desencontros
Desta terra descarada
Que mostra o inicio
Escondendo a chegada.
Tenho fome!
De um beijo salubre
Sobre a cara do tempo
Que corta de raspão
A saliência de minha réstias.
Tenho fome!
De um pouco de ardência
Sobre minha casca
Estéril demais  para este estopim
Do "ter ter ter"  nos confins
Do ânus  fluorescente  do Judas.
Tenho fome!
Que você se cale
E apenas sinta
Todo o me ser.
A dor do uivar dos lobos sem lua
Dormindo entre  meus pincéis.
Tenho fome!
Daquilo que não se come.
De um sentir desregulado
Entre um sol descarado
Queimando nos céus
As brasas da terra.


Alcinéia Marcucci