domingo, 31 de julho de 2011





 "A cada ato impensado é  o planeta o primeiro que grita!"


















Autoria das fotos: Alcinéia Marcucci

sexta-feira, 29 de julho de 2011

                                                                        "Algum Colo"( 0,70 X 1,00m)




AS VEZES DAS VEZES


Minha mente andarilha
Vez ou outra pede colo
Na âncora de algum ângulo.
Vez ou outra pede voz
Aos seres andróginos.
Por  muitas vezes meu corpo
Quis desvendar os toques
Por outras desejou apenas 
O toque de alguém .
Me multipliquei por tantas vezes
Nas palavras descascadas
Já provei outras tantas
As histórias mal contadas.
Me contei fazendo planos
Entre páginas viradas
Me virei pra tantos sonhos
Perfumando minha estrada.
Já senti tanta sede
De olhos com pingos d'água
Já senti tanta fome
De devorar as palavras.
De sugar a poesia 
Das tardes mal cantadas.
Sinto o tempo me comendo
Me distanciando dos meus pés
Sinto asas me cortando
Em feto, menina, velha, Mulher.
Cruzo e descruzo meu eu na soma
De ângulos que vibram
No rumo do silêncio
No grito do pulsar 
Entre línguas presas
No verbo Amar
Com suas  incertezas
Desmanchando meus nós
Entre espinhos e lençóis
Das brasas de minhas veias.


Alcinéia Marcucci






Decomposição ( 1,00 X 0,70)


quarta-feira, 6 de julho de 2011



Apenas um Tango (1,30 X 1,70 m)

Meus dedos palpáveis não palpitam
Se recolhem na linguagem dos sinais
No vento disfarçado de pedestal
Que sustenta meus sonhos loucos.
Sonhos nômades e caboclos
Galopando à pelo, rabiscando a nado
O tremor de minha pele vazia
Estilhaçada pela pedraria
Despencanda  sobre meus olhos.
Mesmo trincados meus olhos vêem,
Mesmo feridos meus olhos pulsam,
Em vermelho sanguínea meus olhos pintam
A solidão que me balança inteira.
Meus olhos orvalham sobre a retina
Um pouco das cores desta arte Pirata
Soprando  coragem sobre minhas velas
Paridas na fúria do Mar Morto.
Meus olhos desenham sobre os lugares
Conversam com as tintas
E dançam com a ironia.
Meus olhos bailam com a fantasia
Para amortecer a dor das pedras
Preservando as meninas ingênuas
Que ainda riem dos fantasmas
Brincam com os pincéis
Dialogam com a imaginação
Bem no centro dos meus olhos.

Alcinéia Marcucci

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Renascimento (0,80 X 1,00 m)



  Vídeo  da Poesia Toma-te a Paz produzido por Sidney Zaratustra



                                             
 Toma-te a paz, 

Toma-te!

Toma-te o quê te toma.

Toma-te nos braços   

Toda Vermelhidão.
Toma-te as tomadas
Das veias ligadas
No seu coração.
Toma-te nos braços
O quê ninguém vê.

Toma-te as asas

Num copo azul,

Toma-te a vida

Toma-te as forças 


Tudo que é seu                                                                                                       

Toma-te rápido
Antes do Adeus!




A.M.


Fotos de autoria de Alcinéia Marcucci




sábado, 28 de maio de 2011


No Enterro


Nos cobrimos
Sem  nos descobrirmos.
                                             Encobertar a descoberta
                                             É a morte.


                                                                                     Morrer descobrindo-se
                                                                                     É a vida.


                                                                                    Pensamento coberto
                                                                                    É no túmulo.
                              
                                           A vida coberta  
                                           É o cúmulo.


? até no caixão
Eis a questão.
Eis a vida.


Alcinéia Marcucci

Fonte da imagem:Cemitério de Père-Lachaise    http://www.trivago.com.br/

terça-feira, 24 de maio de 2011


A fome  Cigana

Arte no prato  

Tenho fome!
Daquilo que não se come.
Tenho fome!
De um pouco de cor nos olhares daltônicos.
De uma chama de fogo nos corações de gelo.
De umas linhas curvas sobre as mentes retas.
Desnudando  as máscaras de ferro.
Tenho fome!
De devorar a fruta do meu desfrute.
De desgalhar-me num mar vermelho
De desovar minha sensibilidade
Desapertando minhas medidas ciganas.
Tenho fome!
De devorar tudo que me come.
De desmontar a ordem
Do castelo capitalista.
De despregar-me da vitrine
Dos olhares do $$$$$$$Real,00
De tirar minhas asas
Deste planeta canibal.
Tenho fome!
De provar as dores do parto
Desta terra já cansada.
De parir na esquina
As almas mal lavadas
Dentre encontros e desencontros
Desta terra descarada
Que mostra o inicio
Escondendo a chegada.
Tenho fome!
De um beijo salubre
Sobre a cara do tempo
Que corta de raspão
A saliência de minha réstias.
Tenho fome!
De um pouco de ardência
Sobre minha casca
Estéril demais  para este estopim
Do "ter ter ter"  nos confins
Do ânus  fluorescente  do Judas.
Tenho fome!
Que você se cale
E apenas sinta
Todo o me ser.
A dor do uivar dos lobos sem lua
Dormindo entre  meus pincéis.
Tenho fome!
Daquilo que não se come.
De um sentir desregulado
Entre um sol descarado
Queimando nos céus
As brasas da terra.


Alcinéia Marcucci




segunda-feira, 23 de maio de 2011



Uma Carta para Deus
( 0,30 X 0,40 cm- Látex sobre Canson)

Diálogo das Reações


Eu sou a Vida
Me sinta , me explore,
Não me ignore,
Me alimente de amor, por favor!
Estou faminta.
Faminta de igualdade, de honestidade
Por um país mais puro
Com olhos para o futuro.
Olhos que querem ver nas mãos do povão
Um prato farto, mas é de educação,
Educação correndo na veia,
Circulando no teu corpo,
Na tua praia, na tua aldeia
Abrindo sua mente
Arranhando a velha teia
Do vírus do poder que o mundo rodeia.


Se acalme vida
Eu vou te ajudar
Eu sou a Luta e nunca vou descansar!
Luto para sobreviver
Neste mundo de disputa pelo poder
Amarga ambição
Que o valor da vida
Quer apagar, quer esquecer.


Luta! Lute por mim!
Por favor!
Eu sou o Amor!
Fruto do calor que está adormecido,
|Podre e vencido
Entre as engrenagens que estão surgindo
Com um coração frio, que dá medo, arrepio,
Pois a vida não quer encarar,
Pra ela não dão valor!
Vida é amar, conversar,
Destruir a dor!
Apagar a violência, a guerra,
O grito de terror
Que traz miséria,
A mancha de horror!
Vamos
Me agarre, me segure,
Me respire por favor!
Te dou sombra, te dou abrigo
Eu sou o amor!


Calma amor!
Eu tenho um plano!
Vamos perfurar a alma
De quem é profano, desumano.
Pois eu sou a Coragem
E vou te ajudar
À acalmar e guiar
Este mundo selvagem
Que para traz quer caminhar!
Esta terra é nosso lugar!
Vamos lutar
Para a justiça bem menos falhar
E quem sabe o Brasil melhorar.


O futuro do país
Precisa ter...
Eu! A Esperança!
A maior cor da bandeira 
Da terra brasileira
Que não desiste
Que não descansa.
Estou com cada olhar
Que deseja mudança.
Que pula, grita, dança
Que têm a garra
As vontades
De uma criança!


Eu sou a Educação!
Alimento do povão.
Caviar ao alcance
De qualquer mão.
Me pegue, me segure,
Me explore, me devore,
Não me jogue no chão.
Não me dê para o seu cão.
Quero ser sua comida,
Melhorar sua vida,
Curar a ferida da corrupção
Que enfraquece seu corpo
Contamina a nação.


 Eu! A Alegria!
Tenho que entrar nesta poesia
Que mesmo ferida
E um pouco sentida
Alegra sua ida
Ao sucesso da vida
Para sua existência
Não ficar perdida!
Posso ser atrevida
Mas sou decidida.
Coloco sorriso no teu rosto
Luz no seu olhar indisposto
Melhoro sua vida!


Esperem aí!
E eu o Mal?
Não vou participar
Desta poesia sem sal?
A memória é uma semente curta,
Semente que o vento  furta.
O povo quer ilusão.
Que se dane a educação!
Políticos de bolso cheio
E o pão do povão sem recheio.
Eu tenho a grana!
Um vício que domina e engana!
Ele coloca fogo no mundo!
Nada apaga sua chama.


Eu, o Tempo, estou virando as páginas.
Desembrulhe o presente!
O presente é o agora
Laçado nas escolhas...


Alcinéia Marcucci