terça-feira, 4 de janeiro de 2011




Nas minhas desenvolturas a vida gira

Borbulha nos arredores do meu corpo
Apronta travessuras no meu umbigo,
Brinca de escorregar nos meus seios
E do alto dos meus bicos saltados ela pula
Na corda bamba dos dias desgastados.
Neste deserto  desenxabido minha vida arde!
No céu da minha nublado de minha boca
Ela salta de braços abertos entre os raios
Desafiando  a cólera  do desequilíbrio
Na majestade de um sonho ereto.
Me desfio  nas facas do desfiladeiro
Minha vida   se desfralda em vento
Sinto um soco ligeiro batendo no meu peito
Gritando ferozmente nas minhas engrenagens.
Meus pensamentos não se enquadram nas medidas
Escorregam-se nos deslizes que as pedras oferecem
Nos meus vãos despidos e sarcásticos,
Desocupados dos diques primorosos
Meus sonhos dilacerados pela realidade
Voam entre  os anéis de Saturno
Querendo espaçar  o comensurável
Sentir os dedos da sensibilidade
Abrirem  a gaiola do Vale que habito
Remontarem o quebra- cabeça
Da coluna- vertebral da minha Arte
Faminta por escalar as montanhas que me cercam
Abrir os pincéis e voar no infinito
Com as meninas arteiras dos meus olhos.

                               Alcinéia Marcucci
        

2 comentários:

  1. Alcinéia, muito lindo teu blog, poemas cortantes, fortes legítimos, carnavalhas de muitos gumes. já estou seguindo e vou linkar nos meus, um grande beijo e um 2011 pleno de arte e felicidades pra ti,
    beijos
    artur gomes

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  2. Obrigada Artur, é uma honra ter seu olhar poético e aguçado por aqui, afinal, admiro muito sua expressão artística sempre viva e afiada!!!
    Grande abraço

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