segunda-feira, 24 de janeiro de 2011


                                                                            Perigos(0,70x1,00m)



Mama Mia


Mama Mia late na minha ladeira

Tece teias no meu labirinto

De perdições labiais perdidas entre os cristais,

Invasoras das folhas de vidro que me enamoram

Nas ladainhas que cortam minha pele de algodão

Como um sopro de lama queimada pela laje

Que lança meus satélites na sonda destes espaços

Engolidos pelos dedos lambidos do tempo.

Mama Mia mia nos meus telhados

Arranha as foices da minha lâmpada

Desmancha os laços das minhas mãos

Bebe o leite das minhas lembranças

Embebidos no vinho tinto das uvas

Circulares mastigadas pelas lanternas

Que beliscam os meus músculos

E fermentam a pele dos meus lençóis.

Mama Mia ronca nos meus sonhos

Ri dos inícios sem fim que me defloram

Esconde meus medos, empurra meus segredos

Lavoura meu corpo para o amor,

Meus olhos nascentes do leste para a dor

De um sol vermelho perfumado pelas rosas

Por entre os reflexos dos meus planos

Que velejam sobre o sopro das asas dos meus cílios.

Mama Mia Pia sem pagar  licença das minhas taxas

Uma nova lenda sobre os meus pés sem chão.

Há um lobo-do-mar velando meus sonhos!

Há um dedo de moça apimentado minhas sílabas

Entre o mar salgado que vaza dos meus poros

Sem bússola que atravesse o centro da minha gravidade

Sem agulha que penetre nas minhas cavidades

De borboletas voando sobre nuvens grávidas demais

Para deixarem pousar velhas mariposas sobre a terra.


                                         Alcinéia Marcucci

Mama Mia é o mistério das emoções da Arte que me degusta, me bebe, me come entre um gole de vinho e gotas de tinta na chuva, e, ainda  não me bastasse, quando menos espero ela escapa  por entre a grade dos meus dentes e toda enxerida vai bater perna por entre as vielas medievais da "Toca do Zorro" ...

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