domingo, 25 de dezembro de 2016



Sentir o corpo e alma
Leves no mesmo lugar.
Até quando vou suspirar?
Até quando vou aguentar?
Meu corpo está aqui!
Mas minha alma  eloquente
Quer sair pra qualquer lugar.

Os ossos tortos são pouco
Os dedos inquietos são loucos
Para traçar linhas na  inquietude
Das nuvens camufladas
Pelo tempo
Mutável como o vento
Que sopra vida
Para minhas mãos.

Às vezes ousa fazer uma canção
Me pedindo perdão
Por fazer do meu corpo
Algo tão inválido
Tão morno
Tão pouco
Para minha alma transpirando em brasa
Dentro da minha gaiola de ossos ocos.
Talvez eu seja assim,
Só alma num corpo que cuida de mim,
Um sonho ausente no presente
Areia na ampulheta,
Casca na gaveta
Serei pó
Sem dó
Sereia sem a
Serei
Sem nada
e
nada
mais.


Alcinéia Marcucci

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