A Dita
(Conversa entre uma Senhora e uma Menina.)
S- Cuidado! Às vezes ainda escuto a voz da Dita
A dita cuja...A ditadura
Dura como pedra vindo com tudo em direção da gente!
Fale baixo!Abaixe!Se esconda!
Esconda seus segredos, cubra o pensamento!
A Dita está chegando, cada vez mais dura, triturando o som do vento!
M- Que Dita!Quem foi a dita cuja da Dita?
Nasci livre como um pássaro
Saí do ventre quente de minha mãe
E abri os meus braços
Num grito de liberdade
De quem nasce para na vida renascer
Transformando o próprio destino
Ainda menino num velho sábio
Coberto de ideias!
S-Transformando o próprio destino
Em nascer, crescer,trabalhar, comer, dormir,
Ou dormir, comer, trabalhar,crescer ,nascer?
De que importa o início se já sabemos o final?
Ironicamente o fim é fato imutável!
Os filhos da Dita viviam com anseios e sonhos enclausurados, presos
Dentro das gaiolas de carne e ossos!
Já os filhos da Democracia!
Tem toda a liberdade para fazerem os pássaros voarem
Mas são raros os que voam
Por que falta força, coragem para seguir em frente
Ser diferente em meio a alienação
Ter consciência que há tudo por descobrir!
Ter consciência de que não se sabe coisa nenhuma!
M-Será que a idade vai levar os meus sonhos?
Será que a necessidade de sobreviver
Vai engolir meu desejo de viver?
Será que tudo que faço
Um dia me dirá que não fiz coisa alguma!
De que vale a vida
Se tudo descobrimos mas não descobrimos nós mesmos?
S-O silêncio é macio, o remediar o passado é cômodo demais
Para desvendar o futuro e seguir novos caminhos!
Um dia profetizou
Belchior a canção dos pássaros
Que ainda há de
saírem dos ninhos!
Eles voarão até
cansarem as asas
Entoando em coro a
velha canção
Que a sua geração já conhece
bem!
M-Ainda somos os mesmos e vivemos!
Como os nossos pais?
Por que o que parou no
lugar não sai,
E o que se movimento ainda olha para trás
Procurando alguma direção para seguir em frente!
Cuidado!!!
Alcinéia Marcucci

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