Sou um tiro no escuro das latarias novas ou velhas, variando conforme a lua, despida,coberta ou crua, embaralhada entre os ponteiros que giram na contra mão das linhas do meu destino. Sou o esqueleto que vive e pinta, a alma que se mistura nas tintas liquidificada nas faces que derramo nas telas pálidas que famintas de cores devoram minhas faces e fases num ritmo desenfreado, num vulcão com sede de algo que me dê a ilusão de estar viva. A.M.
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Tenho olhos que devoram
A brisa que queima
O brilho dos meus poros.
Às vezes me apavoro
Às vezes choro
Por não poder me conter!
Sinto que vou derreter!
Sinto que nada posso ter!
Apenas ser...então que seja...
Seja feita a vontade divina
A vontade dividida
Que parte meu coração nesse instante.
Minha consciência de elefante
Caminha lenta como as tartarugas
Numa fuga dentro de mim
E simplesmente assim...
Contenho os meus monstros
Neste meu calabouço
De carnes e ossos.
Às vezes penso em soltar as feras...
Às vezes quem me dera
Abrir as asas e voar
Para algum lugar
Onde os loucos podem ser livres
Sem classes,religião e times.
Onde os loucos possam viver
Sem se preocupar com os lados
Sem serem atropelados
Pela exacerbação.
Mergulhar na alucinação seria um devaneio?
Algo que me parte ao meio?
Ou apenas um passeio...
Sem receio da minha mente desvairada!
É tudo ou nada!
E pelas estradas vazias
Sem cores e poesia
Só me resta
A maresia
Nua e fria
Dos meus olhos.
Alcinéia Marcucci
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