O Êxtase ( 1,00 X 1,20m)
1 de Janeiro( Folha Verde)
Abro os braços para um ano novo
Ele me envolve com sedas brancas
Na liturgia da minha lucidez.
Olho os pássaros que cantam aqui fora,
Os galhos balançam na minha janela
Um verde de pão amanhecido e embebido
No orvalho que range as manhãs entre meus pés.
Um ano novo brota entre velhas vidas
Uma formiga desenha novo passos
Sobre a velha árvore cansada,
A pobre não pode abraçar os pássaros
Que amamentam-se de suas frutas
Fazendo cócegas em suas axilas enraizadas
Na euforia dos seus dias corrosivos.
O ano novo camufla o tempo
Para ser digerido com mais suavidade
Na vertigem que beija nossa pele
Entre a ousadia de um andar contente
Sobre as nuvens nascidas do leste,
Nas saudades amargas de outono
Refrescadas pelo sumo quente do verão
Respinga a ilusão das forças renovadas
Investidas no ressoar do novo
Penetrável nos nossos órgãos
Como uma esperança fantasmagórica
Que carregamos nas nossas costas.
Olho a formiga levando a folha nova
Sem pesares para sua moradia
No pé da velha árvore do tempo
Arejada pela sombra da ilusão.
Alcinéia Marcucci

Que linda a velha árvore cansada...Os pássaros alimentam-se de seus frutos, e a velha árvore não pode mover-se para abraçá-los...Os pássaros fazem cócegas nas axilas enraizadas da velha árvore...
ResponderExcluirAs cócegas nas axilas conseguem provocar riso ainda na velha árvore?
Sim Alejandro, ela está viva e vulnerável a sentir sensações...
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