domingo, 15 de julho de 2018


Esboço "A Vida entre espelhos e flechas"

Sinto um peso entre duas medidas
Apertando minhas tripas
Rompendo as divisas
Da banalidade
Da normalidade
Que o mundo assanha.
Quero o indivisível
Quero a mutação do instante
Disfarçado de elefante
Nas esferas do meu inconsciente.
Não quero presentes
Nem luxos e etiquetas.
Quero minha ânsia fora da gaveta
Me ver apenas dentro dos olhos
De quem eu amo!
Dispenso a normalidade
Com suas pedras,flechas e opiniões.
Quero apenas a arte que me parte
Entre alguns corações
Quero o néctar das minhas entranhas
De uma força tamanha
Que preserva minha alma viva
Entre a fúria dos meros mortais canibais
Que jamais alcançarão
A intensidade da fé que se esconde
Nas entrelinhas do meu nome
Codinome espelhado: Romã...ãmoR.
Alcinéia Marcucci

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Tenho olhos que devoram
A brisa que queima
O brilho dos meus poros.
Às vezes me apavoro
Às vezes choro
Por não poder me conter!
Sinto que vou derreter!
Sinto que nada posso ter!
Apenas ser...então que seja...
Seja feita a vontade divina
A vontade dividida
Que parte meu coração nesse instante.
Minha consciência de elefante
Caminha lenta como as tartarugas
Numa fuga dentro de mim
E simplesmente assim...
Contenho os meus monstros
Neste meu calabouço
De carnes e ossos.
Às vezes penso em soltar as feras...
Às vezes quem me dera
Abrir as asas e voar
Para algum lugar
Onde os loucos podem ser livres
Sem classes,religião e times.
Onde os loucos possam viver
Sem se preocupar com os lados
Sem serem atropelados
Pela exacerbação.
Mergulhar na alucinação seria um devaneio?
Algo que me parte ao meio?
Ou apenas um passeio...
Sem receio da minha mente desvairada!
É tudo ou nada!
E pelas estradas vazias
Sem cores e poesia
Só me resta
A maresia
Nua e fria
Dos meus olhos.

Alcinéia Marcucci

quinta-feira, 28 de setembro de 2017


A Dita

(Conversa entre uma Senhora e uma Menina.)

S- Cuidado! Às vezes ainda escuto a voz da Dita
A dita cuja...A ditadura
Dura como pedra vindo com tudo em direção da gente!
Fale baixo!Abaixe!Se esconda!
Esconda seus segredos, cubra o pensamento!
A Dita está chegando, cada vez mais dura,  triturando o som do vento!

M- Que Dita!Quem foi a dita cuja da Dita?
Nasci livre como um pássaro
Saí do ventre quente de minha mãe
E abri os meus braços
Num grito de liberdade
De quem nasce para na vida renascer
Transformando o próprio destino
Ainda menino num velho  sábio
Coberto de ideias!

S-Transformando o próprio destino
Em nascer, crescer,trabalhar, comer, dormir,
Ou dormir, comer, trabalhar,crescer ,nascer?
De que importa o início se já sabemos o final?
Ironicamente o fim é fato imutável!
Os filhos da Dita viviam com anseios e sonhos enclausurados, presos
Dentro das gaiolas de carne e ossos!
Já os filhos da Democracia!
Tem toda a liberdade para fazerem os pássaros voarem
Mas  são raros os que voam
Por que falta força, coragem para seguir em frente
Ser diferente em meio a alienação
Ter consciência que há tudo por descobrir!
Ter consciência de que não se sabe coisa nenhuma!

M-Será que a idade vai levar os meus sonhos?
Será que a necessidade de sobreviver
Vai engolir meu desejo de viver?
Será que tudo que faço
Um dia me dirá que não fiz coisa alguma!
De que vale a vida
Se tudo descobrimos mas não descobrimos nós mesmos?

S-O silêncio é macio, o remediar o passado é cômodo demais
Para desvendar o futuro e seguir novos caminhos!
Um dia profetizou Belchior  a canção dos pássaros
Que ainda há de saírem dos ninhos!
Eles voarão até cansarem  as asas
Entoando em coro a velha canção
Que a sua geração já conhece bem!

M-Ainda somos os mesmos e vivemos!
Como os nossos pais?
Por que o que  parou no lugar não sai,
E o que se movimento ainda olha para trás
Procurando alguma  direção para seguir em frente!

Cuidado!!!

Alcinéia Marcucci

segunda-feira, 17 de julho de 2017

De encontro com tudo que de mim não sai...

Vai! Vai de encontro com o seu pai
Antes que o adeus seje tarde demais
Antes que a lua desapareça
E o sol enlouqueça
Vire a cabeça sem as noites de luar!
Vá!Esqueça tudo que se vai
Sinta aquilo que não sai
Do seu peito sem endereço.
Vá! Vai antes que tudo se vá
Vá pra algum lugar
Sem enfeites e adereços.
Vá! Pois o tempo não perdoa!
Ri e de nós caçoa...
Achamos que tudo podemos segurar!
Quando o vento... escapa pelos dedos
Debochando dos nossos segredos
Desmanchando nossos corpos
A cada respirar.
Vá! Mergulhe dentro de ti
Sem pressa de regressar
E se amor de fato existir ali
Vale a pena  pra vida voltar
E se voltar talvez eu te dê um laço
Em forma de abraço
Já que não sei o quê com o futuro faço
Nem mesmo os meus passos
Posso agora controlar.

Desejo somente um sopro de vida
Pra curar as minhas feridas.
E na falta de saída
Na carência de alguma bebida
Pra afogar a minha voz sentida
Restam  a calmaria da mãe querida
E o olhar firme do meu pai.
Vai...vai para dentro de mim
Como água cristalina
Tudo aquilo que de mim não sai!
Vai!

Alcinéia Marcucci






domingo, 25 de dezembro de 2016



Sentir o corpo e alma
Leves no mesmo lugar.
Até quando vou suspirar?
Até quando vou aguentar?
Meu corpo está aqui!
Mas minha alma  eloquente
Quer sair pra qualquer lugar.

Os ossos tortos são pouco
Os dedos inquietos são loucos
Para traçar linhas na  inquietude
Das nuvens camufladas
Pelo tempo
Mutável como o vento
Que sopra vida
Para minhas mãos.

Às vezes ousa fazer uma canção
Me pedindo perdão
Por fazer do meu corpo
Algo tão inválido
Tão morno
Tão pouco
Para minha alma transpirando em brasa
Dentro da minha gaiola de ossos ocos.
Talvez eu seja assim,
Só alma num corpo que cuida de mim,
Um sonho ausente no presente
Areia na ampulheta,
Casca na gaveta
Serei pó
Sem dó
Sereia sem a
Serei
Sem nada
e
nada
mais.


Alcinéia Marcucci

Tirei os dedos da lida...e fiz uma pintura para Frida.

Entre as lágrimas que escorrem
Na minha face já sentida
E o coração que pulsa o sangue
Nas minhas veias já partidas
Fico às vezes a pensar
Se não somos um pouco Frida.
Frida!
Entre goles de mentiras
Quantas vidas já sofridas?
Um único sonho que resta
Dentre a tirania que não presta
Dilacera tantas frestas
Ferindo tantas vidas!
Frida
Sei que a vida não é doce
E só amarga fosse?
Mesmo assim... ainda vale ser bebida
Mesmo que num gole só
Já que tudo vira pó... A noite, as flores, os amores...
Essa arte que nos parte
Como vale ser sentida! Ser...
Ser sem poder ter
Por que ter é a ruína!
Quero a vida nua e crua
Queimando nas minhas entranhas
Tão estranhas, tão inquietas para o dissabor.
Da dor também nasce flor/ Uma flor como nome Frida!


Alcineia Marcucci

quinta-feira, 21 de março de 2013



Filho,
Devagarinho entrou no meu ventre
Foi crescendo tão de repente
Criando um laço inalcançado  pelas mãos
Tão apertado aqui dentro do coração
Que eu sou você e você é eu.
Você é minha respiração
As cores com que nunca pintei
As formas com que nunca antes sonhei
Mas hoje se movem dentro de mim
Como que querendo dizer: "Estou aqui, dentro de ti
E mesmo do seu lado, no seu peito permanecerei."
Filho,
Meus sentimentos crescem contigo
Criam raízes nas minhas veias
Expandem meu espaço interior
Pois o meu coração de mãe aumentou
Para o  brilho dos seus olhos
Para o  calor do teu corpo
Que já pertencem a minha vida
E aquecem os meus dias
Para a cada amanhecer
Eu renascer mais forte
Para o amor superior
Mágico e intraduzível
De mãe e filho.

A primeira troca de olhares 
Não têm preço
Ouvir seu choro
Sentir seu cheiro
Ter-te em mãos
É uma união com Deus
Um momento único
Entre o sonho e a realidade
Surgiu a razão do meu viver
Surgiu você!

Alcinéia Marcucci